Ping Yang quem?
Um restaurante thai em SP e uma receita divina de crudo de peixe
Estive recentemente em São Paulo para pouco mais de 24 horas de comilança e, devo admitir, me decepcionei. Eu esperava a mais alta gastronomia em São Paulo, pois lá, para mim, é tipo Nova York, capital do mundo, sabe? Esperava nível Nova York, o que sei que é possível porque já comi com essa qualidade lá muitas vezes. Uma amiga sugeriu que eu crio expectativas muito altas, então é mais fácil me decepcionar. Uai, mas se a gente sabe o potencial, vamos esperando o pior ou o melhor? Copo cheio ou vazio?
Mas bem, vamos lá. No primeiro almoço, entradas deliciosas, prato divino, mas achei meu prato principal sem graça. Um fideuá no Tanit. Não tenho parâmetros para comparação, a não ser por um delicioso fideuá de galinha caipira que comi no Caê, restaurante pelo qual tenho muito apreço, aqui em BH mesmo. O prato espanhol, que segundo li é uma espécie de paella feita com macarrão tipo cabelinho de anjo, levava três camarões gostosos por cima e era cozido em um caldo forte e substancioso. Mas não tinha uma partícula sequer de nada. Nem uma cebola, pimentão, alho. Nadica de nada. Achei estranho. E faltava sal. Fuéeeen.
É bom dizer que foi um verdadeiro drama escolher restaurantes para tão poucas refeições, já que não ia à cidade há tempos e teria tão pouco tempo. O Tanit era uma casa que eu queria conhecer há anos. De sobremesa no almoço fui ao Ici Brasserie para provar seu famoso pain perdu. Perfeito, realmente.
No jantar, resolvi arriscar e segui recomendações de pessoas que acompanho no Instagram e fui ao Ping Yang. Um bar tailandês com pratos pequenos e preços de restaurante caro. Fui já combinando com o Ivan que, ao sinal de furada, iríamos embora para uma pizzaria, a Carlos Pizzeria, a poucos quarteirões, que eu já conhecia e tinha certeza da qualidade. Amo comida tailandesa, já estive na Tailândia e quis tentar. Mesmo tendo pesquisado e visto fotos, não esperava que os pratos pequenos fossem tão pequenos.
Começamos com um prato que a garçonete descreveu como sendo a Tailândia em um único bocado: uma tal folha de chaplu, tamarindo, molho de peixe, coco, amendoim. Vieram duas folhas pra cada. Duas folhas para você enrolar e comer de uma vez. Duas folhas do tamanho de uns 9 cm de comprimento cada. E de fato tinha que comer de uma vez, porque era tanta pimenta que quase desfaleci. Engoli, praticamente, porque não dava para sentir muito os sabores, pois a pimenta dominava e sou fraca para pimenta. Delícia, realmente fresco e a cara da Tailândia, mas erraram na mão e, para mim, ficou incomível. Minúsculo, deu para entender, né? 54 reais. Olha aí:
Continuamos com o crudo de peixe. Esse, uma maravilha, a pimenta no ponto certo, um frescor magnífico, fatias finas de peixe com um molho cítrico delicioso, lembrando um ceviche, por cima uns fios de folha de limão kaffir para dar aquele tchan bem thai, um gosto de sauna que só esse ingrediente confere, realmente um prato excelente. Mas eram quatro fatias mais finas que sashimi. Por 65 reais. Pedi os espetinhos de frango. Vieram dois do tamanho quase daqueles espetinhos de buffet de aniversário, ricos em sabor, mas, para mim, vieram antes da hora, quase crus.
A última tentativa foi um prato de porco. No cardápio ele é apenas listado como Porco grelhado com molho Nahm Jim Jaew, mas a descrição da garçonete nos fez imaginar um porco ainda “sizzling” (perdão, mas não consigo achar palavra melhor em português, mas seria algo como crepitante, sabe aquela carne na chapa fazendo aquele Tzzzz?) com um molho à base de ostra, dourado, espetaculoso. Pula para o porco que chegou: uma carne feia, quase cinza, quase fria, seca, que me lembrou carne de lata de baixa qualidade, fatiada, bem ruinzinha. O molho não salvava, mesmo se fizesse o rolinho com as alfaces que acompanhavam. Fim. A conta já estava em uns trezentos reais com as bebidas e preferi terminar na pizzaria, pois continuávamos com fome. Perfeita a pizza.
Em breve contarei mais sobre o que vi e comi em São Paulo nesta rápida viagem, mas num rápido resumo, a comparação com Belo Horizonte choca no quesito serviço. Estão à anos luz do que oferecemos aqui, realmente. No quesito comida, acho que vou ter que voltar.
Crudo de peixe à moda thai
Voltei decidida a reproduzir o crudo de peixe. O restaurante lista os ingredientes que usa: galanga, alho, raiz de coentro, pimentas malagueta e dedo-de-moça, açúcar de palmeira, molho de peixe, suco de limão e por cima limão kaffir (também conhecido como makrut) e alho poró.
Galanga é um parente do gengibre, que dificilmente vou encontrar em Belo Horizonte, nem me dei ao trabalho e usei gengibre mesmo. Usei as dedo de moça do meu quintal, pois o pé eterno não para de produzir e tenho mais de 50 sem destino na geladeira. Açúcar de palmeira até poderia achar mas usei o mascavo mesmo. E nem gosto do sabor de sauna do limão kaffir então fiz a egípcia. Ficou assim o crudo à minha moda, que amei e achei parecidíssimo com o do restaurante:
Ingredientes
500g de peixe branco de qualidade e fresco, cortado em fatias finas: pode ser olho de boi, robalo, eu usei badejo e usaria até tilápia.
Suco de 2 limões
2 colheres de sopa de Molho de peixe tipo Nam Pla
1 colher de sopa de vinagre de arroz
Pimenta dedo de moça - a gosto - eu usei 1 quarto da minha, e depende também do tamanho da pimenta.
1/2 colher de chá de gengibre fresco ralado
2 colheres de sopa de açúcar mascavo
2 colheres de sopa de coentro fresco - o talo e a raiz - muito bem lavados
1 colher de sopa de folhas de coentro picadas bem miúdas
2 dentes de alho
Sal a gosto
Modo de fazer
Use um pilão para amassar bem o alho, a pimenta, o gengibre e a raiz de coentro. Coloque isso em um uma tigela e misture o suco de limão, vinagre, molho de peixe, gengibre, açúcar, as folhas de coentro e o sal. Misture bem e sirva sobre as fatias de peixe. Está pronto para servir!!
Ps: Lembrem-se que só faço comida feia pois não tenho paciência para picar nada direito. Dá pra ficar mil vezes mais bonito que o meu.
E é tudo por hoje!! Merci e à bientôt!




Que decepção. Eu achava que em SP não teria esse tipo de coisa. Também esperava mais...
Ainda bem que a pizza te salvou.